Bloqueio Anestésico do Nervo Alveolar Inferior

17:23

Acidentes e complicações da anestesia local
Acidentes de ordem local.


Medidas preventivas gerais:
  • Conhecer a droga a injetar.
  • Usar soluções com vasoconstritores.
  • Observar as condições do tubete anestésico.
  • Selecionar a agulha.
  • Evitar a injeção intravascular (seringa com aspiração).
  • Evitar doses excessivas do anestésico (sobredose).
  • Injetar solução lentamente (1ml/min).
  • Respeitar as limitações da anestesia local.
  • Observar as referencias anatômicas.
  • Ter equipamento e material auxiliar disposição (torpedo de oxigênio, seringas e medicamentos e instrumental, para urgências.
    Quanto ao tipo: (Problemas - Primários, secundários e transitórias.)
    • Primários: aquele que causado e se manifesta durante a aplicação da anestesia.
    • Secundários: aquele que se manifesta mais tarde, mesmo que tenha sido causado no momento da anestesia.
    • Brandas ou leves:
    • Aquela que revela um ligeiro desvio do padrão normal esperado, sendo reversível, independente de qualquer tratamento.
    • Intensa: esta se manifesta por meio de um desvio acentuado do normal e exige um plano decisivo de tratamento.
    • Transitórias: aquela que mesmo sendo intensa no momento de sua ocorrência não deixa seqüelas.
    • Permanentes: esta mesmo que seja de natureza branda deixa sequelas residuais.
    Quanto a etiologia:
    1)-Atribuídas a solução anestésica.
    2)-Resultantes da inserção da agulha.

    1)Atribuídas às soluções anestésicas:
    01-Toxicidade.
    02-Idiossincrasia.
    03-Alergia.
    04-Reações anafilactoides.
    Reações: sistêmicas.
    05-Infecções causadas por soluções contaminadas.
    06-Irritações localizada ou reações teciduais causadas pela solução.
    Reações: locais.
    2)Resultantes da inserção da agulha:
    01-Lipotimia (ou sincope vaso depressora).
    02-Dor ou hiperalgesia.
    03-Edema.
    04-Infecções.
    05-Anestesia prolongada (fora de relação com a solução anestésica).
    06-Trismo.
    07-Hematoma ou equimose.
    08-Fratura de agulha.
    09-Sintomas neurológicos atípicos.
    Obs: Estas também obedecem a mesma classificação de primárias e secundárias, brandas ou intensas e transitórias ou permanentes.
    Quanto aos efeitos colaterais:
    • De ordem local.
    • De ordem geral.
    EFEITOS COLATERAIS DE ORDEM LOCAL:
    01-DOR.
    02-TRISMO.
    03-ANESTESIA PROLONGADA.
    04-EQUIMOSE.
    05-ÚLCERA DOS LÁBIOS.
    06-ESCARA.
    07-PARALISIA FACIAL.
    08-ISQUEMIA FACIAL.
    09-INFECÇÃO.
    10-CEGUEIRA TEMPORÁRIA.
    11-ENTRECRUZAMENTO DO OLHO.
    12-FRATURA DE AGULHA.
    01-DOR
    A) Etiologia:
    • Agulha com bisel em mau estado.
    • Injeção muito rápida.
    • Grande volume de solução anestésica.
    • Grande número de inserções de agulha.
    • Agulha não esterilizada.
    • Solução contaminada.
    • Falta de anti-sepsia no local da injeção.
    • Solução anestésica deteriorada.
    • Injeção em músculo.
    • Solução anestésica não isotônica.
    B) Sinais e sintomas:
    • Óbvios.
    C) Tratamento:
    • Analgésicos.
    • Agentes antibacterianos, em caso de infecções.
    D) Prevenção:
    • Usar anestésico tópico.
    • Empregar agulha nova e afiada.
    • Injetar 1 ml de solução anestésica por minuto.
    • Na anestesia palatina, usar pequeno volume de anestésico.
    • Usar soluções em temperatura aproximada corporal.
    • Evitar punções múltiplas da agulha no mesmo local.
    • Evitar infecções (assepsia e anti-sepsia).
    • Usar soluções em boas condições de conservação.
    • Executar a injeção de forma tecnicamente correta.
    02-TRISMO
    A) Etiologia:
    • Traumatismo muscular.
    • Solução irritante.
    • Hemorragia.
    • Infeção brandas.
    B) Sinais e sintomas:
    • Dificuldade de abrir a boca.
    • Dor.
    C) Tratamento:
    • Na maioria dos casos não exige tratamento.
    • Quando causada por traumatismo exercícios leves (abertura de boca) e analgésicos.
    • Frente a hemorragia, bochechos emolientes.
    • Agentes antibacterianos em caso de infecção.
    D) Prevenção:
    • Usar agulhas novas e afiadas.
    • Evitar injeções intramusculares.
    • Evitar injeções repetidas.
    • Usar agulhas estéreis.
    • Anti-sepsia prévia.
    03-ANESTESIA PROLONGADA
    A) Etiologia:
    • Contaminação da solução anestésica por álcool ou outros agentes desinfetantes.
    • Hemorragias na bainha do nervo.
    • Pequenas injúrias ao nervo causadas pela agulha.
    B) Sinais e sintomas:
    • Óbvios.
    C) Tratamento:
    • Massagem no local da injeção.
    • Aplicação de calor úmido ou seco.
    D) Prevenção:
    • Enxaguar tubetes em água destilada, antes de seu uso.
    4-EQUIMOSE
    A) Etiologia:
    • Técnica incorreta, provocando abertura de vasos sangüíneos.
    • Manifestação de problemas envolvendo fatores de coagulação e ou sangramento.
    B) Sinais e sintomas:
    Mancha roxa cutânea ou mucosa.
    C) Tratamento:
    • Resolve-se com o tempo (alguns dias). A mancha torna-se esverdeada; vai se tornando amarelada e finalmente, desaparece.
    • Para apressar a resolução, aplicação de calor úmido ou seco.
    • Medicamentos:
      • Enzimas fibrinolíticas ( varidase; 1 comp. 4 vezes ao dia.
      • Homeopatia: arnica d3: 10 gotas, 5 vezes ao dia, durante uma semana).
    D) Prevenção:
    • Técnica anestesiológica correta.
    • Correção dos desvios da coagulação e do sangramento.
    • Verificar a aspiração positiva.
    05-ÚLCERA DOS LÁBIOS
    A) Etiologia:
    • Traumatismo.
    Geralmente causado pelos dentes, quando o paciente busca verificar os efeitos da anestesia após bloqueio do nervo alveolar inferior, mentoniano ou labial superior.
    B) Sinais e sintomas:
    • Lesões ulceradas da mucosa bucal, que podem se infectar secundariamente.
    C) Tratamento:
    • Proteção da área ulcerada com pomada anestésica, Oncilon-a (orabase) ou vaselina sólida.
    • Associar anti-sépticos, se houver infecção.
    D) Prevenção:
    Orientar o paciente e/ou acompanhante, em especial no caso de crianças para evitar mordeduras para se verificar o efeito da anestesia ou mesmo o traumatismo acidental durante a mastigação.
    06-ESCARA:
    A) Etiologia:
    Grande volume de solução anestésica injetada na mesma área. Repetições da inserção da agulha no mesmo local. Soluções muito ácidas e não isotônicas.
    B) Sinais e sintomas:
    • Descamação epitelial na área de inserção da agulha. Sensação de queimadura, dor e possibilidade de infecção secundária.
    C) Tratamento:
    • Aplicação tópica de pomadas anestésicas, Oncilon-a (orabase) e vaselina sólida. Bochechos anti-sépticos.
    D) Prevenção:
    Não injetar mais de 0,5 ml de solução anestésica na mesma área. Especialmente se o vasoconstrictor for levoford ou a norepinefrina.
    D) Prevenção:
    • Ocorre com mais freqüência nas regiões que oferecem maior dificuldade para difusão da solução, como a fibromucosa palatina.
    07) PARALISIA FACIAL:
    A) Etiologia:

    Técnica incorreta de anestesia do nervo alveolar inferior: bloqueio do nervo facial, atingindo a parótida, após ultrapassar a borda posterior do ramo ascendente da mandíbula.

    B) Sinais e sintomas:
    • Queda das pálpebras, com incapacidade de oclusão ocular;
    • Projeção do globo ocular para cima ou para baixo;
    • Queda ou desvio do lábio.
    • Não são percebidas pelo paciente, embora possam ser alarmantes para o profissional despreparado para essa ocorrência.
    C) Tratamento:
    • Não requer. Cessa após a degradação da solução anestésica.
    D) Prevenção:
    Técnica anestesiológica correta. Na anestesia do nervo alveolar inferior, não injetar a solução anestésica se não sentir o contato da agulha com o osso mandibular.
    08-ISQUEMIA FACIAL:
    A) Etiologia:
    • Solução anestésica depositada no tecido celular subcutâneo ou injeção atingindo vasos faciais.
    B) Sinais e sintomas:
    • Intensa palidez facial e eventuais sinais e sintomas gerais de sobredose anestésica.
    C) Tratamento:
    • Para o caso de solução depositada no tecido celular subcutâneo não há necessidade de medidas terapêuticas. Cessa com a absorção da solução, que pode ser apressada pela aplicação de calor.
    • No caso de injeção intravascular, agir de acordo com a intensidade dos efeitos. Veja a parte de efeitos tóxicos.
    D) Prevenção:
    • Técnica anestesiológica correta e usar seringa com aspiração.
    09-INFECÇÃO:
    A) Etiologia:

    Falha na obtenção de esterilização e desinfecção do instrumental para anestesia. Ausência ou descuidos na anti-sepsia do operador e do paciente. Passagem da agulha por áreas infectadas.

    B) Sinais e sintomas:
    • Dor.
    • Hipertermia.
    • Formação de abscessos.
    C) Tratamento:
    • Antibioticoterapia, analgésicos e anti-inflamatórios.
    • Fisioterapia.
    • Cirúrgico, se necessário, para drenagem de abscessos.
    D) Prevenção:
    • Esterilização do instrumental,
    • Desinfecção do material
    • Anti-sepsia do operador e do paciente.
    • Evitar áreas infectadas.
    10) CEGUEIRA TEMPORÁRIA
    A) Etiologia:

    Injeção com grande pressão na fossa ptérigo-maxilar, facilitando a penetração da solução anestésica pela fissura orbital inferior que, assim atinge o nervo óptico.

    B) Sinais e sintomas:
    • Perda da visão do lado afetado.
    C) Tratamento:
    Acalmar o paciente, transmitindo-lhe segurança, que o sintoma irá cessar com o término da anestesia, sem nenhuma conseqüência.
    D) Prevenção:
    • Observar a velocidade correta de injeção anestésica (1 ml/min).
    11) ENTRECRUZAMENTO DO OLHO
    A) Etiologia:

    Excesso de pressão na injeção ou da solução anestésica na fossa pterigo-maxilar, atingindo um ou mais músculos intrínsecos do olho. O músculo reto lateral do olho é o mais freqüentemente atingido.

    B) Sinais e sintomas:
    Embora a visão possa permanecer normal, o paciente apresenta estrabismo convergente ou divergente. O primeiro caso, onde a pupila tende a aproximar-se do nariz, tem sido o mais referido.
    C) Tratamento:
    • Não é necessário. O transtorno cessa com a metabolização da solução anestésica.
    D) Prevenção:
    • Técnica anestesiológica correta.
    12-FRATURA DE AGULHA:
    A) Etiologia:
    • Agulha defeituosa, em más condições (muito usada, desentortada).
    • Agulha capilar.
    • Agulha de comprimento inadequado.
    • Movimento brusco do paciente e/ou operador.
    • Técnica anestesiológica incorreta.
    B) Sinais e sintomas:
    • Ausência de parte da agulha, quando da retirada da mesma.
    C) Tratamento:
    Manter o fragmento sob controle. Somente fazer tentativa de remoção quando indicada e obedecendo preceitos científicos, conhecimentos anatômicos, radiográficos e cirúrgicos.
    D) Prevenção:
    • Usar agulha longa, descartável e nova, de calibre médio, nos bloqueios.
    • Não introduzi-la totalmente (no máximo 2/3 de seu comprimento).